O Clube de Ciências Onze de Agosto de Muzambinho

Categoria: Palestra
Eixo temático: Teorias e Metodologias de Ensino
Prof. Otávio Luciano Camargo Sales de Magalhães – CCOA
Mirian Freire Tavares - CCOA
Tiago Henrique Zandomenighi – CCOA
Karina Maria Silva Carvalho – COOA
João Eduardo Bueno - CCOA

Resumo

O Clube de Ciências Onze de Agosto de Muzambinho-MG vem realizando desde 1995 uma série de atividades feitas por jovens para jovens, sem apoio direto, orientação ou supervisão de adultos. Tal entidade trabalha com educação na modalidade de “Protagonismo Juvenil” em seu nível máximo, onde jovens, crianças e adolescentes, através de atividades e experiências diferenciadas aprendem através do lúdico, educando-se para a felicidade, pessoalidade e pleno exercício da cidadania. Constata-se que na maioria das vezes, entre os participantes, o aprendizado espontâneo que ocorre no seio das atividades do Clube tem eficiência muito superior que aprendizado escolar formal. Desde sua fundação vem apresentando surpreendentes resultados e tem entre suas principais atividades o monitoramento ecoturístico da Reserva Ecológica Particular da Fazenda Lagoa (ISM), onde realiza uma série de atividades em Educação Ambiental, estudo e pesquisa; realização de grandes Gincanas Esportivas, Culturais e Artísticas nos meios urbano e rural, com “know how” próprio estruturado; montagem de estandes sobre drogas, sexualidade e meio ambiente em exposições. É totalmente mantido por pessoas entre 9 e 25 anos. O Clube tem uma série de experiências feitas totalmente por jovens em diversas áreas: educação, educação ambiental, sexualidade, psicologia, turismo, biologia, ensino de ciências, ensino de geografia e história, educação matemática, educação física, motricidade humana, educação artística, etc. Apesar do vanguardismo em educação, apenas em 2003 está se fundamentando pedagogicamente e produzindo textos sobre seus objetivos. É composto por pessoas que interessam pelas atividades, e até hoje já contou com participação ativa de mais de 1000 jovens protagonistas.

Palavras-chave: protagonismo juvenil, educação ambiental, gincanas.

Introdução

O Clube de Ciências Onze de Agosto de Muzambinho é uma entidade jovem, que atua em estágio avançado da modalidade educacional do Protagonismo Juvenil.

A entidade criada em 1995 é mantida totalmente por jovens entre 9 e 25 anos, e realiza uma série de atividades educacionais, buscando através da sucessão de atividades lúdicas, proporcionadas através de experiências diversificadas, educar o jovem para a felicidade, para a pessoalidade e para a plena cidadania.

Aparentemente bizarra, a entidade vem nos últimos 8 anos realizando atividades diversificadas, da organização de gincanas esportivas e artísticas até monitoramento de ecoturismo em matas tropicais, que dificulta a explicação objetiva da finalidade exata da entidade.

Criada inicialmente para ser um grupo de pesquisas em ciências, a entidade foi sofrendo mudanças e adaptações, até tornar-se uma instituição educacional feita para e por jovens, adolescentes e crianças.

O Clube é sediado em Muzambinho, cidade sul-mineira, próxima a Poços de Caldas, Alfenas e Guaxupé, na divisa com o estado de São Paulo. Com 21.000 habitantes, 1.200 propriedades rurais e nenhuma grande fazenda, a cidade sobrevive do equilíbrio entre agricultura, comércio, indústria e educação. Tem 5 escolas públicas de ensino fundamental na zona urbana e 6 na zona rural, 1 pública de ensino médio regular, 1 particular de ensino fundamental e médio (sistema Anglo), 1 técnica municipal (contabilidade e administração), Escola Superior de Educação Física, Escola Agrotécnica Federal de Muzambinho (agricultura, zootecnia, agroindústria, enfermagem e informática). Tem características peculiares, baixos níveis de criminalidade, quase inexistência de miséria, baixa mortalidade infantil e Índice de Desenvolvimento Humano 0,801 (alto), 36º maior do estado (de acordo com a Fundação João Pinheiro, 2003).

Histórico

Em julho de 1995, jovens de 11 a 16 anos, reuniram-se com objetivo de criarem um grupo que realizaria pesquisas em ciências naturais, criando uma sede, onde realizaria pesquisas e manteria laboratório. Tal grupo faria pesquisas de campo e excursões em matas e montanhas. Começaram com mal sucedida investigação sobre os tipos de musgos existentes, porém, a partir deste embrião, tiveram contato com um outro grupo, um grupo ecológico recém formado, também jovem.

Por mera coincidência, neste mesmo mês de julho, Muzambinho assistira a criação deste grupo ecológico por meninas de 11 a 13 anos, com apoio do prefeito. Este grupo havia iniciado uma relação com o ISM – o Instituto Sul Mineiro de Estudo e Conservação da Natureza, sediado no município vizinho, Monte Belo, na Fazenda Lagoa, reserva particular de patrimônio natural – RPPN, de propriedade da Profa. Dra. Maria Cristina Weyland Vieira, presidente do ISM, onde são mantidas preservadas 512 hectares de matas tropicais e feitos inúmeros trabalhos de pesquisa científica em fitogeografia, ornitologia, primatologia e anfibiologia, além de atuar com ecoturismo e educação ambiental, manter herbário, biblioteca e museu.

Através deste grupo ecológico, no mês de agosto, o grupo de pesquisas foi visitar a Fazenda Lagoa e estabeleceu contatos com o ISM. Os dois grupos a partir de então iriam manter constante contato com o ISM, através de visitas à Fazenda Lagoa e participação conjunta em eventos, além de ficarem responsáveis pelo monitoramento ecoturístico das matas e demais dependências do ISM. Substituiriam o GERF – Grupo Ecológico Raízes do Futuro, que trabalhou com o ISM desde 1988 e encerrou suas atividades no início de 1995.

Tal oportunidade abriu novas perspectivas para o grupo de pesquisas, que fundou em 11 de agosto de 1995, o Clube de Ciências Onze de Agosto - CCOA. “Onze de Agosto” em referência à data de fundação – o dia do estudante – referência ao fato da entidade ser um grupo estudantil. “Clube de Ciências” pois ainda sonhava com uma sede e laboratório e com a realização de pesquisas, viagens e excursões. Acrescentou em seus objetivos a criação de movimento ecológico e o trabalho em parceria com o ISM, já estabelecido. O grupo ecológico morreu em um mês, deixando o trabalho com o ISM totalmente para o Clube.

Constituído o Clube, totalmente por jovens, foi sugerida a realização de uma Gincana com temas ecológicos para inauguração da entidade perante a sociedade de Muzambinho, e tal evento duraria uma tarde (cerca de 4 horas).

Em outubro de 1995 realizou-se a 1ª Gincana Cultural Potências e Radicais, com cerca de 100 participantes de todas as escolas urbanas do município. A ênfase ecológica foi logo abandonada e a Gincana foi realizada nos moldes clássicos: danças, apresentações teatrais, tarefas e gincana de perguntas, “rainha” e “mister”.

A pessoa organizadora mais velha tinha 17 anos, e a média geral não ultrapassava os 13 anos: ambas presidentes de equipe tinham 11 anos. A Gincana foi organizada totalmente por jovens e crianças.

Potências e Radicais foram nomes escolhidos rapidamente para as equipes. A Gincana não tinha nenhuma relação inicial com a Matemática, apenas o presidente do Clube era um professor desta matéria, apesar de seus 16 anos.

A 1ª Gincana foi sucesso tão grande que no dia seguinte o Clube começou a organizar a 2ª Gincana, abandonado totalmente a ênfase ecológica na Gincana. Ou seja, os jovens que haviam criado um Clube e trabalhavam com o ISM numa reserva ecológica estavam ampliando os seus trabalho para um ramo muito diferente.

Tais Gincanas se repetem até hoje. A última delas, a 7ª, contou com 93 modalidades (artísticas, esportivas e culturais), 6 dias e 64 horas de duração, 51 jovens organizadores (12 a 24 anos) e 5000 participantes.

As Gincanas, no decorrer de suas edições foram aperfeiçoadas e ampliadas de tal forma a criarem um “know-how” próprio. Também foram ampliadas para o meio rural. Sete bairros realizaram de forma simplificada gincanas nos mesmos moldes, totalmente organizadas por jovens também.

Tais gincanas são extremamente sofisticadas. Começam com eleições para os 19 “cargos” da comissão de cada equipe. Cerca de 1000 alunos votam. São eleições sofisticadas, com 2 turnos para presidentes e eleição no sistema proporcional (como de deputados e vereadores) para a comissão organizadora.

Após as eleições, vêm as “Reuniões Estruturais”, onde através de um modelo fixo a se preencher, os jovens eleitos decidem todas as modalidades e regras da Gincana. Em seguida as equipes realizam ensaios das modalidades artísticas e realizam “Reuniões Operacionais”, onde separadas decidem democraticamente os responsáveis por cada modalidade e como serão operacionalizadas as atividades.

A Gincana ocorre com várias inovações e peculiaridades para garantir sua eficiência, qualidade e registro de sua memória. Sobre elas caberia outro artigo, tantas são as vantagens que se pode dizer sobre ela. O melhor, maior e mais eficiente instrumento educativo do Clube.

Em decorrência da empolgação com a Gincana (e descaracterização dos objetivos iniciais do Clube), outras atividades começaram a surgir e o Clube começou a atuar em vários campos, com atividades diversificadas: grupos de danças e teatro, grupo de RPG, participação de eventos e congressos, shows artísticos, festas de confraternização, apresentação de palestras.

Em 1996 o Clube participou com o ISM, pela primeira vez, da “Semana Florestal de Guaxupé”, com estande que expunha animais empalhados ou em formol. O sucesso garantiu novas participações no evento até 2000, todos anos e participação de outras exposições em outras cidades. Em 2000, o estande do Clube foi premiado como o melhor da “Semana Florestal”, com apresentações sobre sexo, drogas e meio ambiente, feitos totalmente por adolescentes.

Também em 1996, conquista apoio da prefeitura de Muzambinho e uma sala para montagem de sua sede social. Em 1997 o Clube faz seu registro como pessoa jurídica (CNPJ) e logo ganha utilidade pública municipal. Participa de dezenas de eventos na área ambiental, sendo um deles o IV FNEA – Fórum Nacional de Educação Ambiental, realizado em Guarapari–ES, onde apresentou trabalho relatando a atuação Clube / ISM. Os 5 jovens entre 13 e 17 anos foram os únicos menores a participar do evento, o que garantiu, graças a apoio das ONGs fluminenses, uma vaga para delegação da I CNEA – Conferência Nacional de Educação Ambiental, realizada em outubro de 1997, em Brasília–DF.

O I CNEA, composto de 14 delegados de cada estado brasileiro, contou com a participação de onze jovens de 13 a 17 anos, únicos menores participantes. Neste evento o Clube atingiu seu ápice, e seus jovens mantiveram contato com ministros, senadores e governadores. A participação mereceu participação em reportagem de 8 minutos feita pela Rede Globo para televisão.

Até o fim de 2001 foram realizadas diversas atividades, ininterruptamente, porém, ninguém conseguia descrever ou explicar o Clube, seus objetivos, fundamentos e valor. Tinha-se claro o valor do Clube, em termos educacionais, para o progresso da sociedade e das pessoas envolvidas – mas jamais se encontrou uma explicação satisfatória. Em 1997, na publicação da primeira edição do jornal “De Olho no Mundo”, o Clube foi definido como uma entidade educacional cujo objetivo era educar para a plena cidadania, através da seqüência de atividades lúdicas.

A educação acontecia, sabia-se, mas ninguém relatava, em termos formais, o que estava acontecendo. Os jovens integrantes, dos quais nós nos incluímos, desconhecíamos as normas de Metodologia Científica ou sabíamos do funcionamento da vida acadêmica, e por isto todo nosso registro de dados, inclusive historiográfico, foi feito apenas para divulgar fatos objetivos ou registrar acontecimentos. A extensa produção da entidade, que incluía apostilas para guias de ecoturismo, não possuía um único documento que fundamentasse, em termos pedagógicos a importância e relevância da entidade como um todo.

O crescente abandono dos sócios mais antigos, decorrente de suas idas para a universidade; a não valorização da entidade por adultos e autoridades, que jamais compreenderam a grandiosidade e vanguardismo do Clube em educação; e a crise financeira pela qual Muzambinho passou; fizeram que, a partir de setembro de 1999, o Clube entrasse em declínio até que em dezembro de 2001 paralisou suas atividades, caindo no ostracismo e mantendo apenas as reuniões da diretoria.

Em novembro de 2002 o Clube retoma as atividades, disposto a retomar mais intensamente o trabalho com o ISM, as Gincanas paralisadas desde 1999 e dar mais formalidade e fundamentação teórica para a entidade, inclusive com a produção de textos sobre experiências anteriores.

O fundador e presidente do Clube, hoje com 24 anos, professor, em 2003 iniciou sua segunda graduação: em pedagogia; ao mesmo tempo, intensificou sua luta em prol de uma educação mais humana em Araraquara – SP, onde suas afinidades ideológicas com o governo municipal permitiram uma atuação mais intensa em educação como professor efetivo da municipalidade. Tais experiências chegaram a um ponto onde o presidente reconheceu a importância da divulgação para a academia da existência de tal Clube, tamanho o nível de vanguardismo e qualidade, no que diz respeito à educação.
Neste ano, com apoio técnico do presidente, os sócios do Clube criaram uma fundamentação pedagógica do Clube, que se encaixou perfeitamente no que a entidade já faz a 8 anos: o Protagonismo Juvenil.

Esta definição do Clube como entidade que trabalha com “Protagonismo Juvenil” foi feita no mês de junho de 2003. Existem vários textos produzidos pelo Clube que tentaram definir o que a entidade é, alguns deles acabaram sendo contraditórios, tamanha era a dificuldade de explicar o sentido do Clube em face da diversidade de suas atividades.
Em maio de 2003 o Clube já estava de volta plenamente, retomando várias atividades, disposto a fundamentar-se cada vez mais produzindo textos sobre seu trabalho e divulgando suas atividades para a comunidade. A nova fase do Clube permitiu que a entidade classificasse tudo que ocorreu antes de novembro de 2002 como pertencente à “Fase Clássica” do Clube e que esta fase seja totalmente estudada, historiografada e divulgada.

Funcionamento e associados

Totalmente organizado pela juventude, até a diretoria é jovem. Hoje os mais velhos estão entre 16 e 25 anos. Não possui forma de trabalho padronizada. Cada programa é feito de uma forma distinta. Possui um cadastro de associados, porém preferiu cadastrar todos alunos de Muzambinho e mantê-los no cadastro permanentemente, que dificulta falar em corpo de sócios do Clube.

Existem aquelas pessoas que durante algum tempo (curto ou longo), participam das atividades: estes são as pessoas chamadas para reuniões e para as atividades realizadas, e considerados “membros” do Clube, enquanto participam e promovem as ações e eventos. Em algum momento estes sócios deixam de participar das atividades e conseqüentemente deixam de ser chamados para elas. Novos sócios aparecem nas atividades e de acordo com sua freqüência, são convidados para participar de outras.
A maioria dos programas ou atividades tem uma lista de participantes chamados “membros da comissão”. Faz-se o registro de todos os participantes de todas as atividades. São pessoas entre 9 e 25 anos (maioria de 13 a 17) e de classe média baixa. Não pagam nada e podem escolher as atividades que querem participar e criam as regras e normas do Clube. Em cada época existem de 20 a 150 sócios ativos e participantes. Registra-se alguma participação, em alguma atividade, como protagonista, 1.000 jovens e como participante passivo, 8.000 jovens. O Clube aceita qualquer pessoa que queira participar. Jamais alguém foi proibido de participar. Estimula-se a heterogeneidade das pessoas.

Geralmente, enquanto permanecem ativos no Clube, percebe-se nos participantes mais freqüentes uma melhoria escolar considerável, interesse por assuntos acadêmicos, desprezo por drogas, comportamento social politicamente correto, preocupação com políticas públicas e mais responsabilidade sexual. Entre os sócios mais ativos raríssimos são casos de gravidez precoce, uso de drogas e fumo, vandalismo, evasão escolar ou reprovação. Quase todos estão fazendo curso superior, alguns na rede pública e outros na pós-graduação.

Algumas pessoas têm preconceitos em relação ao Clube e a Gincana, devido às nomenclaturas adotadas. Os professores de Muzambinho, em geral, não reconhecem a relevância da entidade para a educação e formação integral de seus participantes, poucos dando apoio satisfatório e alguns criando problemas.

Muitos pais não permitem a participação de seus filhos no Clube e alguns criam problemas. Acreditamos que tal comportamento é fruto de preconceito e desconhecimento da importância das atividades do Clube, geralmente associadas ao lazer, enquanto deveriam ser encaradas como educação. Raríssimos pais compreendem que, muitas vezes, o Clube é mais eficiente do que a Escola. Talvez poucos percebam que as recorrentes saídas do filho para as atividades do Clube estão colaborando para seu filho ser mais feliz e consciente da vida e do mundo.

Quando o Clube foi para Brasília no I CNEA, o veículo alugado com verba da prefeitura foi com 4 lugares vagos. Os pais não queriam deixar seus filhos irem por motivos como: “é perigoso”, “meu filho é muito novo para isto”, “ele não tem responsabilidade”, “ele está se divertindo muito”, “ele não merece”, “vai perder tempo”, etc., evidentemente classificando a atividade do Clube como um passeio.

Houve inclusive pais agressivos, que fizeram ameaças aos líderes do Clube, taxando o Clube como algo extremamente prejudicial e privando os filhos das atividades, mesmo após explicações. Muitas vezes recomendam o filho a deixar o Clube “para ter tempo para estudar” ou por “já não ter mais idade para brincar”. Em vários casos esta postura negativa dos pais em relação ao Clube é adquirida por alguns sócios, que não compreendem que, além de diversão, o Clube educa.

É interessante dizer que nas atividades, não é falado diretamente aos jovens do valor educacional do que se faz (devemos ressaltar, que o objetivo inicial da entidade não foi ser educativa, isto foi conseqüência dos rumos tomados, por iniciativa dos próprios jovens). A maioria dos participantes encara a atividade por ela mesma, tendo como seu objetivo particular a diversão e a ludicidade. Talvez apenas os líderes, ou 30% dos sócios, compreendem a relevância educacional da entidade.

O Clube é vítima também do desprezo de alguma parcela da sociedade (que, apesar disto, não deixa de comparecer nas gincanas). Esta parcela não acredita na seriedade de eventos realizados apenas pela juventude e acha que o Clube é um grupo de “brincadeira”, muitas vezes classificando as atividades da entidade como “perda de tempo”, “ridículas”, “bregas”, etc. Isto, de certa forma, atinge o Clube, muitas vezes tendo extremas dificuldades para conseguir realizar as suas atividades, por empecilhos criados pela não compreensão de alguns professores, dirigentes escolares, autoridades e adultos em geral.

Atividades realizadas

As atividades que o Clube realizou até julho de 2003, exclusive as internas, festas e reuniões são: 7 gincanas grandes (com atividades preparatórias), 10 gincanas rurais, 3 shows artísticos grandes, 67 visitas à sede do ISM (estudos e pesquisas, montagem de mapas e roteiros da fazenda, ecoturismo, contato com pesquisadores e estrangeiros, projetos de preservação de rios e de matas ciliares, produção de textos, 15 monitoramentos de grupos de escolas), participação de 9 eventos no Sul de Minas com estandes (com vários trabalhos), participação de projetos ambientais, eventos de educação ambiental (2 nacionais, estaduais: 2 no Rio de Janeiro e 2 em Minas Gerais, 5 no Sul de Minas), participação de evento de ecoturismo na Bahia, 2 apresentações de trabalho em eventos, 32 passeios, 2 acampamentos, 2 campanhas de conscientização ecológica, assinatura de abaixo assinado internacional contra a caça às baleias, 2 palestras ministradas (drogas) e 1 palestra com o ISM, participação de 2 palestras, participação em comissão de bacias hidrográficas com preservação de matas ciliares, 1 passeio ciclístico, 1 apresentação de teatro e 1 de dança (em outra cidade), 2 jornais, 1 festa junina, 1 desfile de beleza, grupo de RPG, reunião no consulado britânico do Rio de Janeiro, curso de inglês com professora australiana nativa, curso de monitores de ecoturismo. Nestas atividades, os jovens foram protagonistas.

Possui sede social com mini-biblioteca (500 livros), balcão de revistas e folhetos, teclado musical, videocassete (sem TV), arquivo e mesas. A sede fica num prédio público onde funciona uma escola técnica. O Clube foi divulgado na mídia em mais de 100 artigos de jornal, 10 reportagens na televisão e 5 na rádio. Produziu 20 camisetas, prestou homenagens e foi homenageado 5 vezes (menção honrosa).

O presidente do Clube possui um acervo particular com fotografias de mais de 90% dos eventos da entidade e mais de 5000 fotos (36 álbuns até o julho de 2000). Possui gravadas em fitas de videocassete as 7 gincanas (20 fitas), 2 shows artísticos e algumas reportagens para a televisão. O Clube também tem um arquivo de todos os eventos que fez. Uma vasta historiografia da entidade é feita pelos próprios jovens, que se educam historicamente. O lema do Clube é “Quem tem história para contar, sempre será lembrado”, que mostra a valorização que o Clube dá à sua história (inclusive números, fatos, participantes, documentos, estatísticas, rascunhos, etc.); a cada dia, organiza mais a sua história, a fim de algum dia publicar um livreto com as informações mais importantes.

Divulgação na academia

O Clube a cada dia vem percebendo a riqueza das suas experiências e relevância social, como instituição educacional de vanguarda, como promotora de educação plena para jovens, como divulgadora de uma modalidade educacional fácil e barata de ser implementada e como legítima representante de um sonho exclusivo de jovens. Atua em alto nível de autêntico Protagonismo Juvenil – uma entidade de jovens para jovens por um mundo melhor, mais justo e mais feliz, onde se aprende vivendo, aprende-se ser feliz sendo feliz.

Por isto, pela primeira vez em sua história, vai se preocupar em divulgar academicamente seus feitos. Alguns acham que isto tira a pureza (e romantismo) do Clube – talvez o espontaneísmo – porém, o Clube acredita na importância da multiplicação de que faz, por isto, além de suas atividades, pretende divulgar constantemente, suas ações e atividade aos meios acadêmicos.

Procurará divulgar os trabalhos e experiências nas áreas de educação, educação ambiental, sexualidade, psicologia, turismo, biologia, ensino de ciências, ensino de geografia e história, educação matemática, educação física, motricidade humana, educação artística, etc. E divulgá-lo no meio jovem: O Clube não mantém contatos com outras entidades jovens e nunca participou de evento destinado a jovens. Site br.geocities.com/cc11deagosto.

Referências bibliográficas

COSTA, Antônio Carlos Gomes da. Protagonismo Juvenil: adolescência, educação e participação democrática. Salvador: Fundação Odebrecht, 2001.

 

 

 

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